Consumidor
O que o consumidor brasileiro quer em 2026: novas preferências em ingredientes, aditivos e tecnologias alimentares

O comportamento do consumidor brasileiro vem passando por transformações aceleradas – impulsionadas por avanços científicos, mudanças regulatórias, maior acesso à informação e pela evolução do varejo digital. Em 2026, o consumidor está mais atento não apenas ao que come, mas porque come, como aquilo foi produzido e quais benefícios concretos entrega.

Essa mudança de mentalidade afeta diretamente a demanda por novos ingredientes, aditivos, alegações funcionais e tecnologias de processamento. O que antes era visto como “detalhe técnico” hoje se tornou parte central da proposta de valor dos alimentos.

Segundo projeções da Mordor Intelligence (2024), o mercado brasileiro de ingredientes alimentares alcançou aproximadamente US$ 5,97 bilhões em 2025, com expectativa de chegar a US$ 7,40 bilhões até 2030, impulsionado por ingredientes funcionais, produtos “clean label” e o uso crescente de soluções naturais em alimentos e bebidas.

A seguir, apresentamos as principais tendências que moldam as preferências do consumidor brasileiro em 2026 – e como elas impactam diretamente o setor regulatório e de inovação.

A nova geração do “Clean Label”: simplicidade inteligente e multifuncionalidade

O conceito de clean label evoluiu. Deixou de ser apenas a retirada de aditivos artificiais para se tornar um movimento por clareza, simplicidade e valor nutricional real.

Principais soluções que ganham destaque:

  • Fibras solúveis naturais (inulina, FOS, GOS, beta-glucanas) que melhoram textura, reduzem gordura, estabilizam emulsões e contribuem para a saúde intestinal.
  • Extratos vegetais antioxidantes (alecrim, chá-verde, acerola) que atuam como conservantes naturais e substitutos de antioxidantes sintéticos.
  • Fermentações controladas — inclusive fermentação de precisão — capazes de gerar compostos bioativos, novos aromas e melhorias sensoriais sem adicionar aditivos artificiais.
  • Amidos modificados por processos físicos (e não químicos), que atendem a demandas por rótulos mais simples.

Essa nova fase do clean label é menos sobre ausência e mais sobre funcionalidade natural.

Funcionalidade e performance: benefícios específicos movem o consumo

O brasileiro está buscando alimentos com propósito claro, que ofereçam energia, foco, imunidade, longo prazo de vida saudável e suporte ao bem-estar mental.

Entre os ingredientes mais valorizados estão:

  • Peptídeos bioativos e proteínas hidrolisadas, pela alta eficiência de absorção e benefícios musculares.
  • Minerais de alta biodisponibilidade, como bisglicinatos, citratos e quelatos.
  • Adaptógenos (ashwagandha, maca, ginseng), associados ao equilíbrio mental e ao gerenciamento do estresse.
  • Pós-bióticos, fibras fermentáveis e metabólitos bacterianos que modulam a microbiota — tendência reforçada por posições recentes do Codex e da ISAPP.

Essa tendência vem impulsionando um mercado crescente de alimentos híbridos, que combinam características de alimentos tradicionais com benefícios típicos de suplementos.

Adoçantes, aromas e experiências sensoriais: prazer sem culpa

Com a redução do consumo de açúcar — reforçada pelo aumento de produtos com rotulagem nutricional frontal — cresce a busca por soluções que ofereçam prazer sem comprometimento nutricional.

Principais movimentos da indústria:

  • Misturas sinérgicas de adoçantes naturais (eritritol, taumatina, estévia rebaudiosídeo M), que equilibram dulçor e reduzem notas residuais.
  • Aromas naturais moduladores, que reforçam a percepção de doçura ou frescor sem adicionar calorias.
  • Microencapsulação e mascaramento, que melhoram estabilidade térmica e liberam compostos aromáticos de forma mais controlada ao longo do consumo.

A experiência sensorial passa a ser vista como elemento estratégico de saúde – não mais como antagonista.

Sustentabilidade, rastreabilidade e impacto ambiental: critérios decisivos de compra

O consumidor de 2026 não quer apenas produtos gostosos e saudáveis – quer produtos responsáveis.

O interesse por impacto ambiental, transparência e logística sustentável cresce, especialmente entre jovens adultos.

Destaques incluem:

  • Proteínas vegetais de cadeias curtas, com origens rastreáveis (ervilha, grão-de-bico, fava e chia).
  • Óleos inovadores, como óleo de algas, camelina e microalgas de cultura controlada.
  • Ingredientes upcycled, obtidos de subprodutos, como farinhas de casca, fibras cítricas e pozos de café reaproveitados.
  • Ingredientes provenientes de biotecnologia sustentável, como enzimas e compostos produzidos por fermentação de precisão.

A rastreabilidade deixa de ser diferencial e se torna exigência do consumidor e do varejo.

Transparência, narrativa científica e educação do consumidor

O consumidor brasileiro está cada vez mais exigente quanto à clareza e à legitimidade das alegações. Estudos mostram que rótulos claros e narrativas baseadas em evidências aumentam significativamente a confiança na marca.

Isso gera duas grandes expectativas:

  1. Rótulos educativos
    Que expliquem de forma acessível:
    • função tecnológica de cada ingrediente,
    • origem,
    • segurança,
    • vantagens sensoriais ou nutricionais.
  2. Comunicação com embasamento
    O consumidor quer saber “por que isso funciona?“.

Assim, marcas que comunicam com responsabilidade científica tendem a gerar maior fidelização.

Essa tendência exige que áreas regulatórias, P&D e marketing trabalhem de forma integrada, garantindo coerência entre formulação, alegações e legislação (ANVISA, MAPA e normas internacionais).

Conclusão: 2026 será o ano da convergência entre ciência, naturalidade e propósito

As escolhas do consumidor brasileiro estão evoluindo rapidamente para uma combinação de saúde + transparência + experiência sensorial + sustentabilidade. Ingredientes, aditivos e tecnologias passam a ter protagonismo estratégico, e não apenas papel técnico.

Marcas que desejam se destacar nos próximos anos precisarão:

  • investir em ingredientes funcionais e naturais de alta performance,
  • comunicar com clareza e embasamento,
  • antecipar tendências regulatórias,
  • e equilibrar inovação com responsabilidade.

A Regularium acompanha de perto essas tendências e pode apoiar empresas na análise regulatória de ingredientes, elaboração de alegações, estratégias de rotulagem e desenvolvimento de produtos inovadores.

Referências
  1. Mordor Intelligence. Brazil Food Ingredients Market – Growth, Trends & Forecasts (2025–2030). Disponível em: https://www.mordorintelligence.com/industry-reports/brazil-food-ingredient-market
  2. ISAPP – International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics. Consensus Statements and Scientific Publications (2023–2025). Disponível em: https://isappscience.org/publications/
  3. FAO/WHO Codex Alimentarius. General Standard for Food Additives (GSFA). Disponível em: https://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/codex-texts/dbs/gsfa/en/
  4. FAO/WHO Codex Alimentarius. Guidelines on Processing Aids. Disponível em: https://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/codex-texts/en/?details=461
  5. FAO/WHO Codex Alimentarius – CCNFSDU. Committee on Nutrition and Foods for Special Dietary Uses. Disponível em: https://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/committees/committee/en/?committee=CCNFSDU
  6. Good Food Institute Brasil. Relatório de Proteínas Alternativas (2024–2025) e publicações técnicas. Disponível em: https://gfi.org.br/relatorio-2022/ e https://gfi.org.br/publicacoes/
Rolar para cima
Políticas de privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.